Carlesse é eleito governador do TO com 75,14% dos votos

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Após a finalização da contagem dos votos do segundo turno da eleição suplementar, Mauro Carlesse (PHS) foi eleito governador do Tocantins com 75,14% dos votos, vencendo seu oponente na disputa, Vicentinho Alves (PR) que obteve 24,86% dos votos.

O término da eleição suplementar coloca fim a um longo e desgastante processo que ocorreu no Tocantins desde a cassação do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) e da sua vice Claudia Lelis (PV), no final do mês do março deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde então, Mauro Carlesse, presidente da Assembleia Legislativa (AL), assumiu interinamente o governo do Estado, como prevê a constituição no caso de vacância dos dois principais cargos do Executivo.

Em uma eleição que foi orçada em torno de R$ 15 milhões pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o eleitor teve a chance de escolher no primeiro turno entre sete candidatos que participaram da disputa. Carlos Amastha (PSB), Kátia Abreu (PDT), Márlon Reis (Rede), Mauro Carlesse, Mário Lúcio (Psol), Marcos Souza (PRTB) e Vicentinho Alves concorreram em busca do voto eleitor. Como nenhum deles conseguiu alcançar mais de 50% dos votos, a eleição foi para o segundo turno.

Carlesse versus Vicentinho

De coadjuvante inicial no processo eleitoral, Mauro Carlesse foi ganhando força e musculatura com o apoio da máquina pública, que estava administrando paralelamente ao pleito. Além disso, Carlesse conseguiu ainda um grande feito de conquistar com benesses o servidor público, fiel da balança no processo eleitoral.

Por meio dessas ações, o candidato reverteu a situação e conseguiu levar o primeiro lugar da eleição suplementar realizada no dia 3 de junho, obtendo 174.275 (30,31%) votos. Já o segundo lugar foi disputadíssimo entre Vicentinho Alves e Carlos Amastha. No voto a voto, Vicentinho levou a melhor e alcançou 127.758 (22,22%) votos contra 123.103 (21,41%) votos do ex-prefeito de Palmas.

A diferença de votos entre o primeiro e o segundo lugar – mais de 46 mil votos – e a dificuldade para conseguir tomar o segundo lugar de Carlos Amastha fez com que Vicentinho desembarcasse desgastado e desacreditado no segundo turno. O amplo apoio de lideranças que conseguiu na primeira fase da eleição, foi aos poucos se diluindo e a candidatura do republicano desidratou.

Para reverter a situação, Vicentinho contratou a agência de marketing que fez a campanha de Carlos Amastha no primeiro turno e optou por trocar as ruas pelos estúdios de gravação. Em vários vídeos, o candidato buscou o apoio dos eleitores de seus oponentes no primeiro turno e apresentou propostas requentadas de outros candidatos, como a redução da tarifa de energia elétrica do Tocantins. Com uma fisionomia cansada e abatida, a imagem de Vicentinho já demonstrava o que as urnas viriam a revelar neste domingo, 24.

Nem mesmo o slogan “comparou, virou” foi capaz de dar gás à campanha. Pelo contrário, só ressaltou que o candidato estava bem atrás nas pesquisas realizadas. De acordo com os primeiros levantamentos, a vantagem de Carlesse sobre Vicentinho era de mais de 40 pontos percentuais, indicando que o republicano havia perdido apoio mesmo dentro do seu grupo de eleitores no primeiro turno.

Judicialização

Em um segundo turno morno e que disputou a atenção do eleitor tocantinense com a Copa do Mundo da Fifa na Rússia, as únicas emoções ficaram por conta da judicialização da eleição. Vicentinho acusou Carlesse de uso da máquina pública em prol da sua campanha e para se promover. Como parte do processo, Ministério Público e Polícia Federal foram acionados pelo TRE para investigar a situação. O processo corre em sigilo de Justiça.

Omissão dos candidatos derrotados

Buscando resguardar seus coeficientes eleitorais para a eleição de outubro deste ano, nenhum dos candidatos derrotados no primeiro turno declararam apoio aos concorrentes no pleito deste domingo, 24. Pelo contrário, alguns aproveitaram para pregar o voto nulo ou estimular a abstenção, que bateu um novo recorde neste segundo turno.

O que esperar do futuro?

Mauro Carlesse e seu vice Wanderley Barbosa (PHS) devem ser diplomados até a segunda-feira, 9 de julho. Ambos governarão o Tocantins até o dia 31 de dezembro, porém antes disso, devem entrar na disputa de outubro, quando uma possível vitória rumo ao Palácio Araguaia os credenciará para ficar os próximos quatros anos à frente do governo do Estado.

Enquanto isso, o que a população espera ao confiar a Carlesse e Barbosa o mandato da eleição suplementar é que eles mantenham a máquina funcionando e que não interrompam as ações que vem sendo executadas pela gestão. Quanto aos servidores públicos, Carlesse terá que decidir qual fórmula usará para fazer o enxugamento da folha de pagamento e ao mesmo tempo não desagradar aqueles aos quais conquistou. Um desafio e tanto.

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